quinta-feira, 2 de junho de 2016

Workshop Music Gospel: Bekah Costa: Novos Talentos


Workshop Music Gospel: Bekah Costa: Novos Talentos  Aos 15 anos, a brasiliense Bekah Costa já passou por duas viradas na vida. Primeiro veio a notícia difícil. Aos oito meses, teve uma osteomielite, infecção nos ossos que a deixou em coma por três semanas. Hoje, usa prótese na perna esquerda, afetada pela doença, e ainda passa por cirurgias.



Aos oito anos, a surpresa boa. Um vídeo caseiro da garota cantando a música gospel “Recomeçar”, gravado pelo pai, a transformou em estrelinha do Orkut - moda na época - levou a programas de TV e à carreira de cantora. Ela já vai para o 2º álbum.


Bekah Costa faz parte do especial do G1 "Pop de menor", sobre músicos brasileiros rumo ao estrelato sem idade nem para dirigir. Com pequenas idades e grandes fã-clubes, eles têm cifras que superam veteranos em redes sociais. Os famosinhos contam como é se dividir entre aulas de matemática e milhões de cliques somados no YouTube. Veja letras e vídeos de Bekah.

A artista de “teen gospel” já foi vista mais de 11 milhões de vezes no YouTube e tem 300 mil fãs no Facebook. As redes sociais são gerenciadas pelo pai. As letras são cristãs e o som tem referências de pop secular, do soul de Adele ao folk descolado da cantora britânica de origem jamaicana Lianne de Las Havas, sua nova cantora preferida além das evangélicas. “Por mais que as pessoas tenham em mente que o crente não pode ouvir outras músicas, tenho a consciência de que as letras não vão me influenciar, e foco só na melodia”, ressalta.



‘Pancadas’ e vitórias
As reviravoltas que viveu fazem com que Bekah já fale com certo tom adulto. “Acho que ganhei um pouco de maturidade. A gente passa por muitas pancadas, e também por momentos muito bons, mas tem que ter a cabeça mais a frente”, diz a jovem precoce, que aos 15 anos já ajuda a completar a renda de casa e a financiar a própria carreira.



Lançou seu primeiro disco solo em 2013, de título Vivendo Milagres. Em 2015, lançou o segundo disco, pela gravadora Onimusic, de título Lugar Secreto, com produção musical de Daniela Araújo e Jorginho Araújo.


Os pais, músicos amadores, incentivaram o gosto pelo canto e colocaram a menina de oito anos de voz afinada em frente a uma câmera amadora em casa, e de lá direto para a internet. O pai, Lourival José Costa, trabalha no setor de marketing da Infraero e a mãe, Isabel Cristina Garcia, é secretária dos Correios. Nas horas vagas, Lourival é guitarrista e Isabel é regente de coral. “A gente sempre teve a música como maior influência”, lembra Bekah.


‘Desenganada’ aos 8 meses
Colocar músicas no quarto de hospital da bebê Rebecca era uma das únicas coisas que o casal podia fazer durante a luta contra a grave doença aos oito meses. “Ela ficou 21 dias desenganada, a osteomielite virou infecção generalizada. Tinha água no pulmão, ficou inchada, parecia uma bola. Os rins pararam de funcionar. Só contornou com medicamento de fora, de última geração, que custaram alguns milhares de dólares. Foi dureza”, lembra o pai.



“Ela já fez dez cirurgias [na perna esquerda, que teve o osso corroído e que parou de crescer], e ainda vai fazer algumas, depois do lançamento do CD. A perna esquerda já está com dez centímetros de diferença e dá para tentar alongar. Mas ela usa uma órtese, um aparelho ortopédico, e pode caminhar e até andar de patins”, completa Lourival.



Bullying e superação
Usar a órtese permite que Bekah tenha vida normal, mas andar com o aparelho não foi fácil no início da escola. “Já sofri bullying, mas não sofro mais”, conta. “Eu vejo como superação. Vejo de onde Deus me tirou e para onde me trouxe, e sei que pode me levar além”.


Sete anos e quatro meses depois, passado o susto com a filha, veio outro susto – este positivo. “Estávamos indo para um casamento. Ela voltou cantando eu achei bonitinho demais. Ela vestiu um pijama, e eu falei: ‘Filha, deixa o pai gravar’, e postei o vídeo. Rapaz, a gente não esperava, pela idade, ter os acessos que teve. De lá para cá só vem crescendo”, comemora o pai.

“Na época o grande sucesso era o Orkut, e a gente ia publicando e divulgando. Eu me achava né?”, brinca a cantora. O vídeo de “Recomeçar” tem 170 mil visualizações, mas hoje seu canal oficial tem muito mais: 11 milhões, entre clipes do primeiro disco, “Vivendo milagres” (2013), e participações em programas de calouros.



Mas nem tudo são flores: ela tem que se desdobrar entre shows, gravações e escola. “Eu às vezes chego de madrugada das viagens que faço, e estudo em colégio militar, então é super difícil. Mas graças a Deus consigo conciliar. E eu explico para os professores [sobre o trabalho com a música]”, conta. “E quero cursar Publicidade e Propaganda na faculdade. Não vou viver só da música”, planeja.


FONTE

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Leonardo Gonçalves


O QUE LEONARDO GONÇALVES VAI DEIXAR PARA AS PRÓXIMAS GERAÇÕES

1 de abril de 2016. Em uma sexta-feira ensolarada, Leonardo Gonçalves anuncia o improvável para alguém no auge da carreira: a despedida dos holofotes. Não houve o silêncio comum, característico de quando se recebe uma notícia inesperada e triste. Os tempos são mesmo outros. Houve sim um estardalhaço nas redes sociais, iniciado por alguns de seus mais de 1 milhão de seguidores, aqueles que chegaram ao fim do texto de apresentação da turnê 2016 de “principio”.


Depois de 21 anos de carreira, o artista realizará as últimas apresentações e partirá para o novo. O tão cantado do álbum “principio e fim” (2012)? Talvez. O que se sabe é que Leonardo Gonçalves vai deixar para as próximas gerações uma prescrição sofisticada de como tratar a música.


Sensibilidade e técnica. Composição simples, porém de arranjos elaborados. Como ser um artista sensível quando esta habilidade necessita de silêncio e contemplação? Poucos conseguem. Sensibilidade é saber perceber. Mas percepção, analisando suas particularidades artísticas, é o entendimento de como cada elemento se relaciona um com o outro. Sim, é um tipo de sensibilidade que vai um pouco além da capacidade de (apenas) sentir. Tem mais a ver com o cuidado típico das ciências, que não deixa de ver significado mesmo – ou principalmente – nos detalhes. Seria a sua criação alemã? Talvez. Melhor, contudo, é pensar que a dedicação que empenhou durante os 21 anos é a mesma que está à disposição de qualquer um.

Muito de sua base musical vem da própria família. O tio maestro, Williams Costa Júnior, é um dos mais respeitados nomes da música Adventista. Mas tem mais. Tia, prima e grandes amigos. Crescer em um colégio interno pode parecer assustador para a maior parte dos adolescentes. Não, normalmente, para os adventistas. A experiência que se adquire “nos anos de colégio”, na vida adulta torna-se uma das melhores lembranças. Quem teve o privilégio de viver os 20 anos de Leonardo Gonçalves jamais esquecerá os duetos, por exemplo, com os seus contemporâneos, ou mesmo com outro gigante: Sergio Saas. Juntos, lançaram a moda do melisma. Que febre! Muitas vezes insuportável…



Então, se faz claro que sua sensibilidade não tem a ver com o estilo religioso que define sua vocação, mas com a música enquanto linguagem – o que posiciona ainda mais o seu legado. Leonardo Gonçalves rompeu uma barreira interessante de segmento. As letras de “principio” tratam sim de assuntos teológicos, mas elas também vão além, falam de valores morais que fazem parte da vida de qualquer um. Por isso não é sem razão que cantores como Thiaguinho ou Ed Motta se rendem à sua música. O objetivo parece ser alcançar toda a dimensão humana. Arte trata disso. O humano do homem. Ainda que a música religiosa tenha se tornado um nicho lucrativo de mercado, a religião não perde o seu papel de inspirar a Arte.


É difícil pensar que um dia Leonardo Gonçalves cantou, digamos, muito mal. Por isso a técnica é um ponto a se destacar de sua trajetória. Foi o desenvolvimento da técnica que o tornou um dos nomes mais respeitáveis da música, independentemente de segmento. Interessante notar que o significado da palavra técnica é arte – ou ciência. “Téchne” é o meio pelo qual se chega a um objetivo.


Uma voz que almeja ser perfeita não encontra nos limites da tessitura ou afinação os principais obstáculos, mas talvez na preguiça a que desperta a repetição. Compreender a importância da técnica é de antemão estar consciente de que nenhum trabalho se solidifica se não mantém uma rotina para ser apurado. Não apenas feito, mas apurado, melhorado. Técnica e disciplina, neste caso, são indissociáveis.


Disse uma vez Goethe que os grandes sacrifícios são fáceis, contudo, são os pequenos e cotidianos que nos custam. Leonardo Gonçalves vai deixar para as próximas gerações o apreço pela técnica, a provocação de ir todos os dias um pouco além, de desafiar os próprios limites – não ignorá-los, mas desafiá-los, o que é completamente diferente. E porque vivemos em um tempo em que há certo desprezo por tudo o que demora – do metrô às respostas em redes sociais – e associa-se à sorte ou à esperteza quase todo o tipo de sucesso – dedicar-se a algo no bom e velho estilo “no pain, no gain”, é coisa de gente obsessiva. Eis mais uma razão que o coloca como um nome que deixará um legado. Leonardo Gonçalves não apenas não despreza a técnica como nunca optou por atalhos.

Viver a experiência da música de Leonardo Gonçalves em grandes teatros é a prova de que algumas categorias ideológicas não o definem mais. Há quase três anos, a liberdade o ofereceu para os milhões de ouvidos do mundo. “Sublime”, o primeiro single lançado no canal VEVO, no YouTube, alcançou 1 milhão de visualizações em dois meses. Hoje, são mais de 14 milhões de acessos. A canção que abre o irretocável DVD, dirigido por Hugo Pessoa, resume tudo o que Leonardo Gonçalves já fez hoje: o palco simples; o show simples; a música simples, mas a sua interpretação… O resultado daquilo que um sentimento religioso inspira nunca é banal, ao contrário, é pura extravagância.

O que Leonardo Gonçalves vai deixar para as próximas gerações é o caminho aberto para o diálogo inter-religioso por meio da música. Ele canta com padres, com céticos, com corações abertos. É a recuperação da música que produz sentidos e nada mais.


FONTE: